Por Leonardo Bertozzi – comentarista dos canais ESPN
Receitas em dias de jogos, acordos comerciais e direitos de transmissão. Considerando apenas estes três fatores, a empresa de consultoria Deloitte levanta anualmente os 20 clubes que geram mais dinheiro. O relatório sobre a temporada 2010/11, divulgado nesta semana, mostra algumas conclusões interessantes e indicam o caminho aos dirigentes, que nos próximos anos terão de lidar com as exigências do fair-play financeiro da Uefa – ou seja, os gastos dependerão das receitas.
O Real Madrid lidera a lista pelo sétimo ano consecutivo, seguido pelo Barcelona. A receita de quase 480 milhões de euros representa um crescimento de 9% em relação à temporada anterior, deixando claro que não levará muito tempo para superar a marca de 500 milhões.
Logo a seguir vem o Barcelona, que, vale lembrar, teve sua última temporada sem patrocinador de camisa. A próxima lista já levará em consideração o valioso contrato com a Qatar Foundation, de 30 milhões de euros/ano. Portanto, há uma possibilidade real de a liderança mudar de mãos no ano que vem.
Os 20 primeiros colocados geraram um total de 4,4 bilhões de euros, o que representa mais de um quarto da soma do mercado europeu. Eles vêm das cinco principais ligas da Europa (Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França) e todos, com exceção do Hamburgo, estiveram em competições europeias – 14 na Champions League, cinco na Europa League.
Uma campanha duradoura na Champions tem peso positivo nas contas. Basta ver a entrada do Schalke 04, semifinalista na última temporada, no grupo dos dez primeiros. Veja abaixo a lista completa.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
Europa
|
|
Real Madrid
|
479,5
|
123,6
|
172,4
|
183,5
|
UCL
|
|
Barcelona
|
450,7
|
110,7
|
156,3
|
183,7
|
UCL
|
|
Man Utd
|
367
|
120,3
|
114,5
|
132,2
|
UCL
|
|
Bayern
|
321,4
|
71,9
|
177,7
|
71,8
|
UCL
|
|
Arsenal
|
251,1
|
103,2
|
51,2
|
96,7
|
UCL
|
|
Chelsea
|
249,8
|
74,7
|
62,8
|
112,3
|
UCL
|
|
Milan
|
235,1
|
35,6
|
91,8
|
107,7
|
UCL
|
|
Internazionale
|
211,4
|
32,9
|
54,1
|
124,4
|
UCL
|
|
Liverpool
|
203,3
|
45,3
|
85,7
|
72,3
|
UEL
|
|
Schalke 04
|
202,4
|
37,2
|
90,9
|
74,3
|
UCL
|
|
Tottenham
|
181
|
47,9
|
41,1
|
92
|
UCL
|
|
Man City
|
169,6
|
29,5
|
64
|
76,1
|
UEL
|
|
Juventus
|
153,9
|
11,6
|
53,6
|
88,7
|
UEL
|
|
Marseille
|
150,4
|
25,6
|
46,6
|
78,2
|
UCL
|
|
Roma
|
143,5
|
17,6
|
34,8
|
91,1
|
UCL
|
|
B.Dortmund
|
138,5
|
27,7
|
78,7
|
32,1
|
UEL
|
|
Lyon
|
132,8
|
19
|
44,2
|
69,6
|
UCL
|
|
Hamburgo
|
128,8
|
41,8
|
60,3
|
26,7
|
-
|
|
Valencia
|
116,8
|
27,5
|
22,9
|
66,4
|
UCL
|
|
Napoli
|
114,9
|
22
|
34,9
|
58
|
UEL
|
A necessidade de fazer dinheiro com o estádio tem sido um tema crucial nos últimos anos. Estruturas obsoletas e a falta de estádios próprios costumam custar caro. É um problema visível na Itália. Na lista abaixo, a porcentagem da receita em dias de jogos sobre a receita total evidencia a defasagem. No próximo estudo, a Juventus deve ter notável melhora, por causa de seu novo estádio. Algo que deve servir como referência para os outros clubes da Serie A.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
%
|
|
Juventus
|
153,9
|
11,6
|
8
|
|
Roma
|
143,5
|
17,6
|
12
|
|
Lyon
|
132,8
|
19
|
15
|
|
Milan
|
235,1
|
35,6
|
15
|
|
Internazionale
|
211,4
|
32,9
|
16
|
Um efeito colateral desta dificuldade é a dependência excessiva do dinheiro da televisão. Oito dos 20 clubes têm nos direitos de transmissão mais da metade de suas receitas. Destes, quatro são italianos.
|
Clube
|
Receita total
|
TV
|
%
|
|
Roma
|
143,5
|
91,1
|
64
|
|
Internazionale
|
211,4
|
124,4
|
58
|
|
Juventus
|
153,9
|
88,7
|
57
|
|
Valencia
|
116,8
|
66,4
|
57
|
|
Marseille
|
150,4
|
78,2
|
52
|
|
Lyon
|
132,8
|
69,6
|
52
|
|
Tottenham
|
181
|
92
|
51
|
|
Napoli
|
114,9
|
58
|
51
|
A diferença no formato da venda dos jogos nacionais para a televisão se faz notar nos números de Real Madrid e Barcelona. É verdade que eles não respondem sozinhos pela superioridade da dupla, mas uma comparação com o Valencia, terceiro espanhol em receita, mostra que o abismo é exagerado. Ao contrário das outras quatro ligas, a Espanha não vende seus direitos coletivamente. Repatir melhor o dinheiro da TV não ameaçaria a supremacia dos dois grandes, mas daria mais chances de crescimento aos demais.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
|
Real Madrid
|
479,5
|
123,6
|
172,4
|
183,5
|
|
Barcelona
|
450,7
|
110,7
|
156,3
|
183,7
|
|
Valencia
|
116,8
|
27,5
|
22,9
|
66,4
|
Na Inglaterra, os números são bem mais próximos. As receitas inferiores de Liverpool e Manchester City com a televisão se explicam pela ausência na Champions. Vale observar ainda a importância do estádio para o Arsenal, que fatura mais que a soma de Liverpool e Tottenham – não por acaso, clubes que têm pressa em seus projetos de novas arenas.
|
Clube
|
Receita total
|
Dia de jogo
|
Comercial
|
TV
|
|
Man Utd
|
367
|
120,3
|
114,5
|
132,2
|
|
Arsenal
|
251,1
|
103,2
|
51,2
|
96,7
|
|
Chelsea
|
249,8
|
74,7
|
62,8
|
112,3
|
|
Liverpool
|
203,3
|
45,3
|
85,7
|
72,3
|
|
Tottenham
|
181
|
47,9
|
41,1
|
92
|
|
Man City
|
169,6
|
29,5
|
64
|
76,1
|
O estudo da Deloitte ainda trouxe uma análise sobre ligas de mercados emergentes, incluindo o Brasil. A consultoria afirma que os times de maior receita, Corinthians e São Paulo, entrariam em uma lista dos 50 maiores do mundo, faturando entre 70 e 80 milhões de euros por ano.
A avaliação da empresa sobre a liga brasileira é de que os clubes têm se beneficiado de ótimos acordos de patrocínio e direitos de transmissão internos por causa de suas grandes torcidas. Porém, a dificuldade para encher os estádios e para vender o campeonato internacionalmente são fatores que atrapalham.
Diz o estudo: “A média da temporada 2011 na Série A brasileira foi inferior a 15.000, bem atrás das principais ligas europeias e dos 64 mil que foram ver São Paulo x Flamengo, maior público do campeonato. A possibilidade de públicos desta magnitude mostra o potencial dos clubes brasileiros. O Brasil receberá a Copa de 2014, e o investimento em estádios dará uma excelente oportunidade para os clubes melhorarem a experiência em dias de jogos para os torcedores”.
A Deloitte lembra ainda que o fuso horário atrapalha a negociação do campeonato para mercados como Europa e Ásia, e que a Copa Libertadores enfrenta a mesma dificuldade.
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